quinta-feira, 9 de março de 2017

Guerra fria no Brasil

Christian Lohbauer* , 
28 Março 2014 | 14h52
O golpe militar que desalojou o presidente João Goulart em março de 1964 não foi um evento isolado na história política brasileira e mundial. Foi resultado de um processo de polarização interna, associado à polarização do sistema internacional. O antagonismo entre norte-americanos e soviéticos começou com a corrida nuclear no imediato pós- 2ª Guerra Mundial, aumentou com o bloqueio de Berlim por Josef Stalin em 1948, e ficou explícito na Guerra da Coreia no início dos anos 50. Todas as nações se viram obrigadas a um alinhamento que garantisse a defesa de seus interesses vitais. O Brasil enfrentou o mesmo desafio para definir o seu destino e concluiu seu alinhamento em 1964. 

Entre 1955 e 1968, período da Guerra Fria marcado pela "coexistência pacífica" entre as duas superpotências, flexibilizou-se a ordem bipolar diante das evidências da capacidade destrutiva que carregavam as armas atômicas. As intensas transformações causadas pelo processo de descolonização, principalmente na África e Sudeste Asiático, multiplicaram o número de Estados soberanos, todos em busca de desenvolvimento e protagonismo nos organismos internacionais. Se as tensões da Guerra Fria se estabilizaram no período de coexistência pacífica, a guerra ideológica se aprofundou e marcou conflitos por todos os continentes. No Brasil não foi diferente. 

A polarização ganhou destaque com a eleição da chapa Jan-Jan em outubro de 1960. Na época havia a possibilidade de se eleger candidatos a presidente e vice de chapas diferentes. Jânio Quadros foi eleito presidente com apoio da UDN e de alas conservadoras da sociedade. João Goulart, o Jango, foi eleito vice com apoio do PTB e dos meios operários, apesar da derrota desastrosa do general Henrique Lott. Em pouco tempo a combinação mostrou-se explosiva. Jânio governava de forma errática. Combinava medidas populistas e alinhadas à esquerda com ações conservadoras. Conseguia desagradar aos dois lados e aprofundar a polarização interna da sociedade. 

Ainda em 1959, a Revolução Cubana derrubara o ditador Fulgencio Batista. Fidel Castro rapidamente mostrou inclinação ao socialismo. A ameaça comunista se instalava na América, nas barbas da superpotência capitalista, e tinha simpatizantes por toda a América Latina. Jânio presidente condecorou Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul e gerou inconformismo nos conservadores. Talvez a intenção fosse exercitar a política externa independente e colocar o Brasil mais próximo dos países não alinhados. 

Afinal de contas, a Conferência de Bandung de 1955 tinha lançado Kusno Sukarno da Indonésia, Gamal Abdel Nasser do Egito e Jawaharlal Nehru, da Índia, além de Chu En Lai da China, como estrelas ascendentes de uma terceira via da política internacional. Esses quatro visavam promover a cooperação econômica e cultural afro-asiática, opondo-se ao que consideravam o neocolonialismo norte-americano e soviético. Passaram a exercitar o pragmatismo político para extrair vantagens de ambas as partes. 

O fato é que, com a sua surpreendente renúncia em agosto de 1961, Jânio não teve tempo de fazer o mesmo. Jango estava em Cingapura, depois de passar pela China, e teve de voltar às pressas sob o risco de não assumir. Curioso notar que no mesmo mês a Alemanha Oriental de Walter Ulbricht e Erich Honecker concluía a construção do Muro de Berlim, símbolo de um sistema internacional que entraria em colapso só em 1989.
Com a renúncia, a disputa pelo poder no Brasil entrou em processo de instabilidade permanente até o golpe de 1964. A posse de Jango, nacionalista moderado, não encontrou boa recepção nas alas conservadoras das Forças Armadas, mas encontrou simpatia das ligas camponesas de Francisco Julião, apoiadas pelos cubanos, e nas lideranças estudantis da UNE e da juventude católica de esquerda. Também apoiavam Jango uma parte da burguesia nacional "anti-imperialista" e, principalmente, os movimentos operários. 

O Partido Comunista Brasileiro colaborava com Jango embora um grupo ainda mais radical tenha decidido alinhar-se ao modelo chinês (e depois albanês), constituindo o Partido Comunista do Brasil. A tentativa de se modernizar uma sociedade muito desigual, ainda dependente da exportação de café, mas com industrialização crescente, era vista por muitos como um caminho para o socialismo. E o apoio a representações com orientação socialista atormentava militares e conservadores.

Entre setembro de 1961 e janeiro de 1963, Jango governou em regime parlamentarista tendo como primeiro-ministro Tancredo Neves. San Tiago Dantas, ministro das Relações Exteriores do gabinete de Tancredo, reatou relações diplomáticas com a União Soviética e defendeu a neutralidade do Brasil na crise dos mísseis cubanos. 

Enquanto isso, o presidente John Kennedy questionava seus secretários sobre como agir em relação ao Brasil. Instruiu Lincoln Gordon, seu embaixador em Brasília, a interferir mais ativamente na política brasileira. Foi o tempo em que Kennedy decidiu envolver os Estados Unidos na defesa dos interesses do Vietnã do Sul enviando milhares de militares para bombardear o avanço comunista de Ho Chi Minh. Kennedy não teve tempo de ver o resultado da decisão de se envolver no Sudeste Asiático. Foi assassinado em novembro de 1963, momento em que no Brasil Jango tinha fracassado em decretar estado de sítio para conter agitações no campo e greves operárias em São Paulo. 

No início de 1964, a intenção de iniciar reformas de base por decreto ficou explícita no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Bandeiras vermelhas e pedidos de reforma agrária em uma época em que o livro vermelho com os pensamentos de Mao Tsé-tung começava a ser distribuído internacionalmente dão uma ideia do temor que o comunismo despertava nos meios conservadores. A polarização internacional também estava presente no Brasil. E em 1964 veio a ruptura.

* Mestre em Ciência da educação, Graduado em história,especialista em filosofia da educação.  Irany santos 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Influência da revolução francesa no Brasil

Comemoram-se, hoje (14), 220 anos da Revolução Francesa. Este movimento exerceu grande influência sobre a liberdade e o respeito dos direitos humanos em todo o mundo. Seus princípios fundamentais estão, hoje, inscritos nas Constituições de todos os países democráticos, inclusive na Constituição Federal (CF) brasileira de 1988, como será mostrado em artigos que estarão no site do STF nos próximos dias.
Sob o mote “liberté, égalité, fraternité”! (liberdade, igualdade, fraternidade!), populares tomaram, em 14 de julho de 1789, um dos símbolos do totalitarismo francês de então, localizado na capital, Paris: a Bastilha, prisão onde eram encarcerados adversários do regime. Esse foi o estopim do que ficou conhecido como a Revolução Francesa.
Esses ideais foram absorvidos pelos constituintes brasileiros, que inseriram, na atual Constituição Federal, um extenso rol de direitos e garantias individuais e coletivas, limitando a interferência do poder estatal na vida e dignidade do cidadão, como por exemplo, as disposições sobre a cobrança de tributos (arts. 145 a 162). 
Desde os princípios fundamentais – que consagram a separação dos poderes (art. 1º ao 4º) – passando pelos direitos e garantias dos cidadãos no âmbito social, político e econômico (arts. 5º ao 17), até chegarmos à proteção do meio ambiente e de nossas crianças e adolescentes, que são o futuro do país (arts. 225 a 230), sente-se a presença da centelha revolucionária.

História e Filosofia
No entender de muitos historiadores, ao romper com um status quo instituído há 50 gerações (cerca de 500 anos) por influência do clero, a Revolução  Francesa passou a constituir o marco divisor entre a Idade Moderna e a Idade Contemporânea, e ainda teria sido o evento de maior importância da humanidade, produzindo frutos até hoje.

A base teórica dessa revolução foi cunhada pelo filósofo e pensador suíço Jean-Jacques Rousseau, falecido em 1778. Foi ele um dos nomes mais destacados do pensamento conhecido como Iluminismo, que concebia o homem como um ser livre, igual a seus semelhantes, com os quais deveria conviver fraternalmente. O Estado, segundo essa corrente, não deveria ser um elemento de dominação, como era prática da época, mas um ente a serviço do cidadão.
Contexto


A Revolução Francesa ocorreu em um cenário representado, basicamente, por duas facetas antagônicas: a primeira delas era que um país que experimentava um período de progresso, com o início da industrialização e um gradual enriquecimento nas cidades. Nasciam grandes conglomerados, existiam uma bolsa de valores e uma Caixa de Descontos com um capital de 100 milhões de francos, que emitia notas. A França detinha, antes da Revolução, metade do numerário existente na Europa. E, desde a morte do rei Luís XIV (1643-1715), o comércio exterior tinha mais do que duplicado. No entanto, no período pré-revolucionário, o comércio e a indústria tiveram os negócios estagnados: empresas fecharam, aumentando o desemprego. O clima de ebulição social proporcionava o surgimento de insurreições populares.
Por outro lado, a França ainda vivia uma monarquia com um rei (Luís XVI) que detinha o poder absoluto e com uma camada de privilegiados que viviam em torno dele, sem pagar impostos. Trata-se do clero (então denominado Primeiro Estado) e da nobreza (Segundo Estado), que viviam à custa do povo (Terceiro Estado) que, só ele, era obrigado a pagar impostos para sustentar a máquina do Estado e os privilégios, apesar de ser 97% da população (formada por camponeses, pequenos proprietários de terras, servos, artesãos e burguesia). Além disso, no meio rural ainda remanescia o feudalismo, com a opressão dos trabalhadores que serviam aos senhores da terra.
Ao mesmo tempo, esse mesmo cenário abrigava uma plêiade de grandes pensadores como Montesquieu (1689-1755), d’Alembert (1717-1783), Voltaire (1694-1778) e Rousseau (1712-1778), entre outras expressões do “Iluminismo”. Essa corrente de pensamento abriu caminho para uma busca por liberdades e para uma maior “felicidade” do ser humano, se se pode chamar assim, no qual centrava suas ideias. Isso teria consequências sobre o sistema político, a monarquia e o sistema social vigentes. Pensadores esses que visavam iluminar pela razão as "trevas" em que vivia a sociedade na Idade Média. O século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes.

Evolução


Mesmo assim, a França já havia experimentado uma evolução considerável nos anos anteriores: não havia censura, a tortura fora proibida em 1788, e a representação do Terceiro Estado nos Estados Gerais (Assembleia Nacional) acabara de ser duplicada para contrariar a nobreza e o clero, que não queriam uma reforma tributária. Em 14 de julho, quando a Bastilha foi tomada pelos revolucionários, ela só abrigava sete presos.
Além desses fatores, vários outros exerceram influência sobre a Revolução Francesa. Entre eles estão: a independência dos Estados Unidos da América, declarada em 1776, e a já centenária evolução dos direitos sociais na Inglaterra que, já naquela época, vivia sob sistema de monarquia parlamentarista, que se mantém vivo até os dias atuais.
O fato de a Revolução Francesa ter rompido radicalmente com um sistema estabelecido há pelo menos cinco séculos levou muitos pensadores a dizer que a ela não foi só um movimento nacional, mas que se trata de uma evolução de caráter supranacional. Essa afirmação é tão verdadeira que, até hoje, os ideais da Revolução Francesa ecoam nas Constituições de todos os países democráticos do mundo, entre elas a brasileira.

Direitos Humanos


A maior singularidade da Revolução Francesa foi seu avanço em termos de direitos humanos, e nisto a França se distingue claramente da Inglaterra, que havia progredido mais em termos de direitos políticos e sociais.
No mesmo ano da eclosão da Revolução Francesa, foi divulgada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada pela Assembleia Nacional Francesa em 26 de agosto de 1789, definindo os direitos inerentes à pessoa humana hoje inscritos em todas as Constituições democráticas contemporâneas ocidentais.
                                                                                           


Consequências         


Após marchas e contramarchas entre girondinos (classes favorecidas) e jacobinos (povo) e a execução em praça pública, na guilhotina, de adversários do regime – posteriormente, também de líderes da Revolução e, até, do rei Luiz XVI e de sua família –, acabaram emergindo da Revolução Francesa legados que nem a era napoleônica, que a ela se seguiu 20 anos depois, conseguiu abafar e que hoje são patrimônio da humanidade.
Entre eles, cabe destacar: 
– A abolição da escravatura nas colônias francesas;
– a reforma agrária, com o confisco das terras da nobreza emigrada e da Igreja, que foram divididas em lotes menores e vendidos a baixo preço aos camponeses pobres;
– a Lei do Máximo ou Lei do Preço Máximo, estabelecendo um teto para preços e salários;
– a entrega de pensões anuais e assistência médica gratuita a crianças, velhos, enfermos, mães e viúvas;
– auxílios a indigentes;
– a proclamação da Primeira República Francesa (setembro de 1872);
– elaboração da Constituição do Ano I (1793), que pregava uma ampla liberdade política e o sufrágio universal masculino (anda não o direito de voto da mulher). Essa Carta, inspirada nas ideais de Rousseau, era uma das mais democráticas da história;
– a Elaboração de outra Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, escrita por  Robespierre (um dos ideólogos da Revolução), em que se afirmava que a finalidade da sociedade era o bem comum e que os governos só existem para garantir ao homem seus direitos naturais: a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade;
– a criação do ensino público gratuito;
– a fundação do Museu do Louvre, da Escola Politécnica e do Instituto da França;
– a elaboração do sistema decimal, até hoje praticado em grande parte do mundo.

Revolução russa


No século XIX, a Rússia juntamente com a Inglaterra, a França, a Alemanha e a Áustria, era uma das maiores potências européias, porém enquanto os outros países cresciam, faziam reformas e se industrializavam, a Rússia não se modernizava.
A Rússia era considerada um país atrasado em relação aos demais. Sua economia baseava-se na agricultura. Os servos trabalhavam, mas os senhores feudais não tinham o menor interesse de modernizar as plantações.
O país era governado pelo Czar (Imperador), que tinha poder absoluto, ou seja, todos estavam submetidos a ele, inclusive a Igreja Católica Ortodoxa.
Entre os anos de 1854 e 1856, a Rússia entrou em guerra com a Inglaterra, França e Turquia (Guerra da Criméia), mas foi derrotada justamente por causa do atraso em que se encontrava o país.
Então, o czar Alexandre II tomou algumas providências:
- Aboliu a servidão
- Vendeu terras aos camponeses
- Mandou ocupar novas áreas agrícolas
Tudo isso trouxe benefícios para o país que cresceu e se tornou exportador de grãos, além de ter favorecido o aumento da população. Esse aumento trouxe algumas conseqüências graves, como por exemplo, a dificuldade de se encontrar emprego e a baixa produtividade agrícola gerando fome e revolta.
A saída encontrada pelo governo foi estimular um programa de industrialização, isso permitiu que muitos estrangeiros fossem para a Rússia e várias fábricas foram implantadas, conseqüentemente entre os anos de 1880 e 1900 e Rússia apresentou as maiores taxas de crescimento industrial.
Enquanto o país se modernizava o absolutismocontinuava intacto e isso causava descontentamento entre a população que se unia cada vez mais.
Em 1904 a Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão. Este conflito desorganizou a economia piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da derrota acirrou os ânimos contra o czar. No ano seguinte, os habitantes saíram em uma passeata a fim de entregar um abaixo-assinado ao Imperador pedindo melhoras nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar respondeu com um massacre promovido por suas tropas, aumentando ainda mais a revolta do povo.
Apesar de tudo, ele fez algumas concessões e dentre elas estava a instalação do parlamento (Duma).
Entre os anos de 1907 e 1914, a Rússia voltou a ter uma aparente tranqüilidade, pois houve uma alta no crescimento industrial e os camponeses ganharam terras.
Grande parte da oposição era socialista e se baseava nas idéias de Karl Marx, eles acreditavam que todos os problemas do país só acabariam se o capitalismo fosse abolido e o comunismo fosse implantado.
Os comunistas se dividiam em dois grupos: Bolcheviques e Mencheviques.
- Bolcheviques: queriam derrubar o czarismo pela força, eram liderados por Lênin.
- Mencheviques: propunham a implantação do socialismo através de reformas moderadas.
Com o advento da Primeira Grande Guerra (1914) o povo russo se sentiu na obrigação de lutar, porém o combate trouxe algumas conseqüências:
- Desorganização da economia
- Fome, pobreza e racionamento
- Saques, passeatas e protestos contra o czar
- Renúncia do czar em 1917 diante da pressão popular
A deposição do Imperador não trouxe tranqüilidade aos russos, pelo contrário, o conflito passou a se dar entre os elementos da oposição.
Com a derrubada do czar, o governo provisório (cujos membros se identificavam com os interesses da burguesia russa) assumiu o poder. Esse governo adotou algumas medidas, como:
- Anistia para presos políticos
- Liberdade de imprensa
- Redução da jornada de trabalho para 8h.
Estas medidas agradaram à burguesia, mas os camponeses (queriam terras) e operários (queriam melhores salários) não gostaram.
Os bolcheviques, aos poucos, se tornaram os porta-vozes de todas essas reivindicações.
Os sovietes eram organizações políticas que nasceram no seio das camadas populares e representavam os interesses dos trabalhadores. Assim, havia os sovietes de operários, de camponeses e de soldados. Expressavam uma forma de poder popular em oposição ao governo provisório e se tornaram decisivos nos rumos políticos do país.
Alguns grupos viam nos bolcheviques a solução pra diversos problemas.
Lênin apoiado pelos sovietes e por uma milícia popular conquista a capital obrigando o governo provisório a renunciar e assumindo o governo em 1917. Eles acreditavam que só o comunismo poderia trazer felicidade para os russos. No poder, eles tentaram realizar e criar uma sociedade onde todos fossem iguais e livres.
Para realizar esse sonho, foram tomadas várias medidas:
- As terras da Igreja, nobreza e burguesia foram desapropriadas e distribuídas aos camponeses
- Quase tudo se tornou propriedade do estado (fábricas, lojas, diversões, bancos,etc)
A idéia dessas medidas era criar igualdade entre os homens, pois, segundo o Marxismo, sem propriedade não haveria exploradores e explorados.
Várias foram as dificuldades que surgiram durante o governo e o novo regime se tornava mais autoritário, distanciando cada vez mais o sonho de criar uma sociedade onde todos fossem livres e iguais.
Em 1921, foi permitido ao povo a abertura de pequenos negócios, pois a sociedade precisava ser estimulada. Os camponeses voltaram a produzir para vender no mercado e as grandes empresas estatais passaram a considerar as necessidades de consumo do povo.
Esta série de medidas ficou conhecida como Nova Política Econômica (NEP) e teve resultados satisfatórios no campo econômico, porém no campo social não foi tão bom assim.
No campo, surgiram camponeses ricos que pagavam um salário para outros camponeses. Para os comunistas essa atitude representava a volta da exploração capitalista.
Nas cidades, os grandes empresários lucravam com essa nova economia e isso fortaleceu o aumento das desigualdades sociais.
Em termos políticos o poder ficou nas mãos do Partido Comunista. Outros partidos (inclusive os demais partidos comunistas) e os sindicatos foram proibidos de funcionar.
Após a morte de Lênin, Trotsky (chefe do exército) e Stálin foram os dois líderes que disputaram o poder. Stálin saiu vencedor.
Decidido a industrializar o país, ele só podia contar com dinheiro que vinha da agricultura, já que não podia fazer empréstimos internacionais por causa da pobreza em que o país se encontrava.
Para aumentar a produtividade, foram criadas as fazendas coletivas e muitos camponeses foram obrigados a entregar o gado e as terras ao estado para trabalharem (contra a vontade) nestas fazendas.
Nas fábricas, os operários foram proibidos, sob ameaça de morte, de fazer greve ou mudar de emprego. Apesar disso, as metas de Stálin foram alcançadas e a União Soviética passou por um processo de modernização e industrialização. Porém, o totalitarismo implantado por Stálin na URSS mantinha um rígido controle sobre a imprensa e a cultura em geral.

terça-feira, 7 de março de 2017

Quanto a Globo fatura com o Big Brother Brasil

A Globo já faturou mais de R$ 190 milhões com o reality show Big Brother Brasil, que entra no ar nesta terça-feira (19). Na semana passada, a emissora vendeu a sexta e última cota de patrocínio do programa. Cada cota foi negociada no mercado por R$ 31,9 milhões, o que resulta ema um receita bruta de R$ 191,4 milhões.
Além das cotas de patrocínio, que dão direito a comerciais de 30 segundos nos intervalos e nas chamadas do programa, a Globo negocia ações de merchandising e comerciais avulsos. Calcula-se que, após três meses no ar, o reality show renda à Globo mais de R$ 300 milhões, o que equivale a quase um terço de toda a receita anual do SBT de São Paulo. Isso explica em parte a longevidade do programa, que está indo para sua edição de número 17.
Serão patrocinadores de Big Brother Brasil 17 a Ambev (guaraná Antarctica), a cerveja Itaipava, a Crefisa, a Unilever (Rexona), a rede de supermercados Walmart (que substitui o Carrefour) e a Fiat. Pelo menos um pacote de merchandising já foi fechado: a sala de ginástica do reality show já exibe a marca de uma rede de academias, a Smart Fit. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Guerra da secessao

Depois de alcançar sua independência, os Estados Unidos se depararam com um intenso debate em torno de suas políticas de desenvolvimento econômico. Ao longo de sua história os modelos econômicos das antigas treze colônias eram dotados por diferenças históricas que dividiam a região entre as colônias do norte e do sul. Tal disparidade acarretou em uma intensa disputa na esfera política que acabou levando a jovem nação norte-americana a resolver suas contendas através de uma violenta guerra civil.

De forma geral, a demanda política dessas duas regiões da economia estadunidense criou um campo de tensões onde o favorecimento de uma significava a ruína da outra. Os estados do norte desenvolveram uma economia voltada para a produção industrial, o incentivo das atividades comerciais, mão-de-obra assalariada e a produção agrícola em pequenas propriedades. Em contra partida os sulistas priorizaram uma economia agroexportadora, fundamentada no latifúndio e na mão-de-obra escrava.

Os nortistas, também conhecidos como yankees, priorizavam a constituição de altas tarifas alfandegárias que impedissem a dominação do mercado interno pelas manufaturas estrangeiras e incentivasse o desenvolvimento da indústria nacional. Já os sulistas almejavam uma política alfandegária com valores baixos que permitisse o acesso dos estados do sul a uma maior quantidade de produtos industrializados. Mediante as negociações, os valores das taxas variavam entre 20 e 30 por cento.

Outra delicada questão girava em torno das políticas agrárias nos Estados Unidos. Os nortistas defendiam um modelo calcado na pequena propriedade e na diversificação produtiva vinculada ao aumento da matéria prima disponível. O sul ambicionava a limitação ao acesso, pois via na pequena propriedade uma ameaça direta ao interesses dos grandes proprietários interessados em ampliar o número de terras destinadas às monoculturas agroexportadoras.

Um último ponto de discórdia tratava da questão do escravismo nos Estados Unidos. Os nortistas eram interessados no fim dessa relação de trabalho. Muitos deles, influenciados pela ideologia iluminista, viam na libertação dos escravos a ampliação do mercado consumidor interno no momento em que os ex-escravos fossem convertidos em trabalhadores assalariados. Nessa qtão, o sul se colocava inflexivelmente contra, pois toda força de trabalho dos latifúndios eram sustentadas pelo sistema escravista.

As animosidades criadas pelas diferenças políticas alcançaram seu auge quando os sulistas, reunidos em Montgomery, resolveram implementar um projeto separatista. Dessa reunião ficou acertada a criação dos Estados Confederados da América, formado por nações da região sul. Mesmo estando em menor quantidade, os separatistas esperavam o reconhecimento do novo Estado. No entanto, os yankees prepararam uma grande ofensiva contra os separatistas. Dava-se assim, início à Guerra de Secessão, em 1861.

Contando com uma população maior e uma tecnologia bélica bem mais potente, os nortistas tinham melhores condições de vencer a batalha. Enquanto os conflitos se desenvolviam, o então presidente Abraham Lincoln toma providências para garantir a manutenção do território por meio de medidas que desestabilizavam a economia sulista. Em 1862, decretou o Homestead Act, que concedia o acesso das terras a oeste com base em um modelo de pequena e média propriedade. No mesmo ano, decretou a abolição da escravidão no país.

Com o apoio do governo central e a superioridade militar nortista, os confederados assinaram o termo de rendição em nove de abril de 1865. O modelo econômico do norte prevaleceu frente os interesses dos grandes proprietários do sul. Mesmo trazendo a predominância de uma economia sustentada pelo incentivo à indústria e o comércio, a sociedade estadunidense sofreria com novos problemas. A inserção do negro na sociedade e a criação de movimentos racistas foram polêmicas que se arrastaram na história desse povo até a atualidade.

Por Irany santos
Graduado em História,mestre em ciência da educação, especialistas em educação. Professor da rede de educação Adventista.

Filosofia da linguagem



Filosofia da linguagem é o ramo da filosofia preocupado com quatro questões fundamentais, e as questões derivadas delas:
  1. A natureza do significado
  2. Uso da linguagem
  3. Compreensão da linguagem
  4. Relação da linguagem com a realidade
Quanto a natureza do significado, trata-se de entender o sentido de "significar", entre as questões abordadas, na busca por melhor compreender a questão, teremos a natureza da sinonímia, as origens do significado e qual o modo pelo qual conhecemos um significado. Ainda, filósofos da linguagem trabalharão para compreender como sentenças significativa derivam seu significado de partes menores, as palavras de uma frase, para apresentar significados mais amplos, bem como se o significado das frases é redutível ao significado das palavras.
Embora seja possível derivar e construir outras explicações, atualmente existem sete explicações principais para o que é um significado:


  1. Pragmática, na qual o significado é determinado pelas consequências de sua aplicação;
  2. Verificacionista, posição tipica do positivismo lógico, postulando que o significado de uma sentença é seu método do verificação;
  3. Referencialista, também chamada externalismo semântico, apresenta o significado como equivalente àquelas coisas no mundo que são conectadas ao significado, defendida por autores como Hillary Putnam e Saul Kripke;
  4. Construtivista, defendendo que o discurso pode mudar a realidade, geralmente interpretada em sentido social, não literal;
  5. Teorias de uso da linguagem, que ajudou a inaugurar a visão comunitária do significado, variando conforme o uso em uma comunidade, associada inicialmente a Ludwig Wittgenstein e posteriormente a John Seale e Robert Brandom;
  6. Verdade-condicional, apresenta o significado como as condições nas quais uma expressão pode ser verdadeira ou falsa, iniciada por Gottlob Frege e representada atualmente por autores como Alfred Tarki e Donald Davidson;
  7. Ideia, associadas aos filósofos do Empirismo Britânico, como David Hume e John Locke, entende que o significado é meramente um conteúdo mental provocado pelo simbolo.
Quanto ao uso da linguagem, trata-se de entender como os usuários de uma linguagem a aprendem e utilizam em sua comunicação com os outros, bem como o que significa comunicar. Aprendizagem da linguagem, atos de fala e criação da linguarem são tópicos recorrentes nesta área. A compreensão da linguagem toca alguns elementos da filosofia da mente, uma vez que trata de como a mente do falando e do ouvinte que interpreta o falando se relacionam com a linguagem.
A questão da relação entre linguagem e realidade, investigações geralmente chamadas de "teorias da referência", envolve as questões relacionando a linguagem, a verdade e o mundo, trata-se de investigar qual tipo de significado pode ser verdadeiro ou falso. Entre outras questões, investiga-se o caso em que sentenças sem significado possam ser verdadeiras ou falsas, ou se sentenças podem expressar verdade sobre coisas inexistentes, como as sentenças se relacionam com personagens fictícios e erros de referências. Para trabalhar estas questões, Frege dividiu o conteúdo das expressões em dois componentes, o sentido e o significado.
Segundo Frege, o sentido de uma expressão é o pensamento que ela expressa, este será responsável por estabelecer a referência, aquilo no mundo ao qual tal expressão se refere, um objeto por exemplo. Os sentidos seriam, portanto, modos de apresentação dos objetos do mundo e o valor de verdade de uma expressão estaria associado a quão bem a sentença apresenta os objetos aos quais pretende se referir. Esta posição foi desenvolvida por Bertrand Russell, que embora tenha oferecido uma teoria diferente, é normalmente referido em conjunto com Frege. Esta posição foi depois criticada por Saul Kripke em sua obra Naming and Necessity, através do argumento modal, estabelecendo que mesmo que todas as descrições associadas a uma expressão sejam falsas, a referência se mantém.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CARNAP, R. (1975). Testabilidade e Significado. Em Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural. Vol. XLIV. (tradução de Pablo Mariconda).
Carnap, R., (1956). Meaning and Necessity: a Study in Semantics and Modal Logic. University of Chicago Press.
FREGE, G. (2002). Lógica e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Cultrix. (tradução de Paulo Alcoforado)
Greenberg, Mark and Harman, Gilbert. (2005). Conceptual Role Semantics
KRIPKE, S. (1972). Naming and Necessity. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press.
MARTINICH, A. (1996). The Philosophy of Language. Oxford: Oxford University Press.
RUSSELL, B. (1974). Da denotação. Em Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural. Vol. XLII. (tradução de Pablo Mariconda).
SEARLE, J. (2000). Mente, Linguagem e Sociedade. Rio de Janeiro: Rocco.
Tarski, Alfred. (1944). The Semantical Conception of Truth
WITTGENSTEIN, L. (1975). Investigações Filosóficas. Em Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural. Vol. XLVI. (tradução de José Carlos Bruni).

Arquivado em: Filosofia E postado por Irany santos

quinta-feira, 2 de março de 2017

A vida social em nosso mundo contemporâneo é bastante agitada, concorda? Em nossa convivência urbana, em que milhares de pessoas habitam um mesmo espaço, separadas, muitas vezes, apenas por finas paredes, mesmo quando não queremos, acabamos por ter que interagir com os “outros” de alguma forma.
Mesmo sem percebermos ou ainda sem dizer uma única palavra, ao nos confrontarmos com o estranho, o não familiar, de alguma forma, nossas condutas, ações e pensamentos moldam-se a partir dessa interação. Essa interação entre o “eu”, interior e particular a cada um, e o “outro”, o além de mim, é o que denominamos de alteridade. Esse conceito parte do pressuposto de que todo indivíduo social é interdependente dos demais sujeitos de seu contexto social, isto é, o mundo individual só existe diante do contraste com o mundo do outro.
O antropólogo brasileiro Gilberto Velho elucida: “A noção de outro ressalta que a diferença constitui a vida social, à medida que esta efetiva-se através das dinâmicas socais. Assim sendo a diferença é, simultaneamente, a base da vida social e fonte permanente de tensão e conflito.”* Simplificando, Gilberto Velho mostra de que forma a interação entre a parte íntima e interior do indivíduo e o outro forma o cerne da vida social. Ao interagirem, os indivíduos reafirmam o que faz parte de si mesmo e o que faz parte do mundo externo.
Esse processo de diferenciação é parte também da construção da identidade do sujeito, que se molda a partir da distinção entre “o que eu sou” e “o que eu não sou”. Esse ponto leva-nos ao problema fundamental da questão: a impossibilidade da existência do eu-individual sem o conflito com o diferente, o estranho, o outro.
A ideia da alteridade é tratada por algumas disciplinas distintas, sendo a Psicologia, a Filosofia e a Antropologia as principais. Emboras suas abordagens sejam diferentes, o conflito entre o mundo interno e o mundo externo sempre está em questão.
Para a Psicologia, trata-se do processo de formação psíquica do ser humano. Lev Semenovitch Vygotsky é um dos autores da psicologia que se dedicaram ao estudo do complexo processo de formação e do desenvolvimento humano. A atividade humana no meio social é o principal impulso que movimenta todo o processo de formação da psiquê humana. Nesse sentido, o teórico aproximava-se e concordava em vários aspectos com a teoria marxista acerca do mundo social e das implicações da ação humana em seu meio. Vygotsky afirmava isso baseado na ideia de que é pela interação social que o sujeito constrói-se como indivíduo diante do confronto com o mundo externo. Em suma, ao distinguirmos aquilo que não somos, também determinamos aquilo que somos.
Para a Antropologia, a alteridade volta-se para a observação do contato cultural entre grupos étnicos diferentes e dos conflitos consequentes que se desenvolveram sob diferentes perspectivas. A descoberta do “Novo Mundo”, isto é, o início da colonização europeia nas Américas, parece ser o ponto de partida para os questionamentos que envolvem a ideia de alteridade. O encontro com o “outro” é marcado pelo medo e pelo fascínio, pela distinção clara entre o que é estranho e o que não é. O contraste cultural, de certa forma, acaba fortalecendo a noção de que “aquilo que sou é diferente daquilo que não sou”, o que, em outras palavras, significa dizer que o mundo estranho é um enorme espelho que reflete o que é familiar ao destacar tudo aquilo que nos é estranho.