quarta-feira, 22 de maio de 2019

Movimentos sociais no Brasil

Vivemos em uma sociedade altamente diversa e dinâmica, em que uma enorme gama de diferenças coexiste diariamente. Os indivíduos que integram nossa sociedade possuem necessidades inseridas em realidades diferentes. Essas necessidades precisam ser representadas em nosso contexto político para que sejam atendidas. Todavia, como bem sabemos, não é sempre que os interesses e necessidades de determinados grupos são supridos devidamente pelo Estado ou pelos nossos representantes políticos. A partir desse conflito de interesses é que os movimentos sociais tornam-se uma ferramenta de intervenção.

Os movimentos sociais são característicos de uma sociedade plural, que se constrói em torno do embate político por interesses coletivos e/ou individuais. Assim sendo, a organização de indivíduos em prol de uma causa é uma característica de uma sociedade politicamente ativa. Os grupos que produzem ação em busca da representação política de seus anseios atuam de modo a produzir pressão direta ou indireta no corpo político de um Estado. Para isso, várias formas de ações coletivas são usadas, como a denúncia, as passeatas, marchas etc.

A importância da organização desses grupos mobilizados é grande. A força da ação coletiva só é efetiva quando direcionada. Dessa forma, o surgimento de líderes que representem diretamente as demandas do grupo e a organização em nome de exigências ou ideias comuns são os pilares e a força motriz por traz desses grupos.

Portanto, percebe-se que os movimentos sociais estão diretamente ligados à resolução de problemas sociais, e não à reivindicação de posses materiais. No entanto, eles não se resumem apenas à reivindicação de direitos ou à demanda pela representação de um grupo, pois um movimento pode surgir como agente construtor de uma proposta de reorganização social para mudar um ou outro aspecto de uma sociedade.
Temos como exemplo o movimento Passe Livre, que busca obter a isenção ou o custeamento da passagem de transporte coletivo pelo governo, tendo como argumento ideológico a ideia de que todos os indivíduos de uma sociedade devem ter o direito de ir e vir assegurado pelo Estado. O argumento pauta-se no princípio da liberdade de deslocamento sem que esse direito seja alienado ou tenha valor monetário atribuído à ação de ir e vir. Ao estipular um custo para o deslocamento individual, retira-se esse direito daqueles que não possuem meios de pagar por seu transporte.

O sociólogo francês Alain Touraine considera que a semente dos movimentos sociais está no conflito entre classes e vontades políticas. Para ele, os conflitos sociais estão enraizados em nossa forma de governo e em nosso Estado moderno, permeado por vontades individuais e pelas desigualdades sociais. Essa desigualdade, que fere os princípios de igualdade de um Estado democrático, torna-se um agente de segregação social, cultural e econômica, fatalmente interferindo nas formas de atuação civil daqueles afligidos por tal mal.

Diante disso, os movimentos sociais tornam-se entidades de mediação, isto é, a ferramenta de maior efetividade que os grupos minoritários e desfavorecidos dispõem para buscar a garantia de seus direitos. Sua existência deve ser garantida dentro de um Estado democrático, que depende da legitimação dos cidadãos que o integram para que possa exercer sua função de governar em nome do bem-estar comum.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Formação social brasileira.

A sociologia brasileira tem muito a agradecer ao sociólogo Florestan Fernandes, que teve um papel fundamental para a sociologia crítica. Daí a necessidade de se falar sobre ele e conhecer a sua obra.
Desde sua infância Florestan enfrentou o caminho da maioria dos brasileiros, tendo que trabalhar e estudar. Em 1941, aos vinte e um anos de idade, conseguiu, com muito esforço, ingressar na Universidade de São Paulo (USP) como aluno de ciências sociais. Ao iniciar sua graduação ele sentiu muita dificuldade por causa do nível acadêmico, devido ter ingressado de um ensino público bastante precário. Mas, no decorrer do curso percebeu que a universidade também tinha sua precariedade, porque não tinha investimento em pesquisa e extensão e nem estímulo dos professores em prestar orientação, o que prejudicava o crescimento acadêmico de qualquer aluno.
Ele enfrentou tudo isso, superou as dificuldades e quando terminou a graduação seu trabalho já era original, tanto que foi convidado a atuar como professor assistente na cadeira de Sociologia da USP. Mais tarde passou a titular, mas teve que abandonar o cargo por causa do AI -5, no regime cívico/militar, que abriu todo um processo de perseguição a qualquer pessoa que trabalhasse com o pensamento crítico. Florestan estava no auge da carreira intelectual e acadêmica.
Apesar da ditadura, seu trabalho avançou devido a experiência adquirida no permanente debate sobre a ação da teoria e a prática, juntamente com as correntes de pensadores do passado e contemporâneos, que lhe serviram para elaborar novas formas de pensamentos.
Florestan defendia que para um crescimento educacional mais avançado os sociólogos teriam que sair mais das universidades e partir para a pesquisa de campo, buscando compreender a realidade social e as experiências concretas. Isso proporcionaria um grau de conhecimento mais amplo, tornando fortes as bases sociais tanto no âmbito intelectual, econômico e tecnológico, fortalecendo a universidade e as instituições.
Para Florestan o pensamento é uma contribuição teórica permeada por uma reflexão crítica na qual o sociólogo sempre tem que fazer análises e sínteses baseado na conjuntura. Por esse motivo o cientista social tem que estar sempre atento às mudanças, sejam elas culturais ou econômicas. Segundo Florestan, “o cientista social reproduz a imagem da sociedade em que vive”.
A sociologia brasileira tem seu método investigativo devido à introdução crítica de Florestan Fernandes porque, para ele, um “pesquisador social pode ver muito e identificar pouco, e tendo idéias rígidas acaba vendo apenas os fatos que confirmam as suas concepções”.  Já um cientista social com um bom conhecimento teórico e empírico pode ver muitos fatores e criar métodos de investigação na aplicabilidade das ciências socais, propondo transformações com elementos necessários para uma visão crítica, ampliando o conhecimento baseado na realidade social em que vive. 
Observando a sociologia brasileira ele compreendeu que era necessário tirar o homem das trevas do obscurantismo, da ignorância, jogar luzes naqueles que estavam sem a compreensão concreta da sociedade, sufocados pelo poder dominante e pelo sistema tecnológico opressor que comanda o mundo. Para realizar essa tarefa, dizia, era necessário “um espírito íntegro, imaginativo e criador... [alguém capaz de] compreender que a sociologia não pode medrar a ciência repelida como forma de explicação das coisas, do homem e da vida; e que a ciência só pode expandir-se, efetivamente, entre os povos cuja civilização liberte a inteligência e a consciência do jugo do obscurantismo”.
Florestan alertava que o sociólogo não pode fugir da realidade, dos fatos concretos, e tem como obrigação perante a sociedade em expandir o trabalho científico com alta qualidade, seja para trabalhar com pesquisa ou em ocupações de teor técnico. Para podermos avançar na compreensão do que é nosso próprio país precisamos dar esse passo radical, levar os alunos ao conhecimento fazendo com que eles entendam que é a ciência, em conjunto com a racionalidade teórica e prática, alicerçado em áreas específicas como a antropologia, sociologia, economia, psicologia, filosofia, geografia, etc.. , que garante o conhecimento. Só assim, estaremos avançando intelectualmente e contribuindo para a construção de um país soberano. 
Essas são só algumas notas sobre esse importante pensador que trouxe uniu a sociologia á ciência. Florestan Fernandes é um intelectual grandioso que merece muito mais estudo e divulgação. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Estado islâmico

Estado Islâmico: entenda a origem do grupo


Como surgiu

Também conhecido como Isis, sigla em inglês para Estado Islâmico do Iraque e da Síria, o Estado Islâmico (EI) é um grupo muçulmano extremista fundado em outubro de 2004 a partir do braço da Al Qaeda no Iraque. É formado por sunitas, o maior ramo do islamismo. Entre os países muçulmanos, os sunitas são minoria apenas entre as populações do Iraque e do Irã, compostas majoritariamente por xiitas. Em janeiro de 2014, o Estado Islâmico declarou que o território sob seu controle passaria a ser um califado, a forma islâmica de governo.
Os sunitas radicais do EI consideram que os xiitas são infiéis e devem ser mortos. Aos cristãos, os extremistas dão três opções: a conversão, o pagamento de uma taxa religiosa ou a pena de morte. No Iraque, o EI tenta se aproveitar da situação conflituosa entre curdos, árabes sunitas, cristãos e xiitas, que atualmente governam o país, para ampliar sua área de controle. Lá, tem a simpatia dos iraquianos sunitas, que estiveram no poder durante as décadas de governo Saddam Hussein, perseguindo a maioria xiita. Atualmente, os sunitas são perseguidos pelo governo xiita. Na Síria, o EI também tem a simpatia de parte dos rebeldes que lutam contra o governo de Bashar Al Assad.
etnias islamicas“Eles não reconhecem a legitimidade dos Estados que foram implementados no Oriente Médio, a partir dos interesses ocidentais, e então, simbolicamente, por exemplo, queimam os passaportes, as identidades nacionais. Eles querem criar uma identidade árabe, mas com base numa sustentação sunita do Islã”, explica o professor da Universidade de Brasília (UnB) Pio Penna, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri).
Segundo Penna, a desestabilização do governo xiita no Iraque, que não soube se articular com os sunitas, outro ramo do islamismo, e com os curdos, etnia que vive no Norte do país, foi o cenário propício para a expansão do Estado Islâmico. “O governo xiita não soube fazer uma composição adequada e sua legitimidade foi erodida. O Estado Islâmico foi explorando essas brechas, principalmente na região Norte do país”, disse. Para o professor, os Estados Unidos não conseguiram cumprir a promessa de levar democracia ao Iraque após a invasão de 2003, que resultou na queda de Saddam Hussein, e o Estado iraquiano foi se “esfacelando”.
“O nome inicial era Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que é a região da Síria. Eles ganharam tanta confiança que mudaram o nome para Estado Islâmico, tirando a dimensão regional. A noção do califado é voltar ao império árabe muçulmano”, diz Penna.
Grandes potências, como os Estados Unidos, a Alemanha, o Reino Unido e a França, elevaram suas preocupações e anunciaram a ampliação do apoio, com efetivos militares e armas, à resistência contra o EI – composta por curdos e xiitas, no Iraque.
Desde 8 de agosto de 2014, o governo norte-americano realiza ataques aéreos a alvos do Estado Islâmico, em apoio às forças curdas.

Ataques

O grupo extremista admitiu ter provocado a queda do avião russo, no dia 31 de outubro, no Sinai, no Egito, provocando a morte de 224 pessoas.
O Estado Islâmico também assumiu os atentados terroristas realizados em Paris, no dia 13 de novembro, que causaram 129 mortos e 352 feridos. Os ataques terroristas ocorreram em pelo menos seis locais diferentes da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e o estádio nacional, onde acontecia um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.
O presidente da França, François Hollande, qualificou os ataques como um “ato de guerra” cometido por "um exército terrorista" contra a França. Para o Estado Islâmico, os ataques de Paris foram uma resposta aos “bombardeios dos muçulmanos na terra do califado”.
A França participa na coalizão internacional que realiza ataques aéreos contra os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.
Após os ataques, a França decretou estado de emergência e ordenou a “intensificação” dos ataques contra o grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque.
No dia 19 de novembro, a França propôs ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução com "todas as medidas necessárias" para combater o Estado Islâmico.
O texto apela à comunidade internacional para que "redobre os seus esforços e a coordenação dos mesmos" no sentido de prevenir e impedir os atos terroristas cometidos pelo Estado Islâmico e por outras organizações terroristas associadas à Al Qaeda.

Financiamento

Embora ainda não haja comprovação, as suspeitas indicam que boa parte dos recursos que financiam o grupo vêm de doadores privados de países do Golfo Pérsico. Apesar do apoio de combatentes de várias nacionalidades, o extremismo e a crueldade com que o Estado Islâmico atua são vistos como ameaça pelos sunitas moderados, que detêm o poder político em outros países da região, como Jordânia, Arábia Saudita e Turquia.
Para o presidente russo, Vladimir Putin, pelo menos 40 países financiam o grupo, entre eles alguns membros do G20. “O financiamento, como sabemos, provém de 40 países entre eles vários países de G20”, disse Putin numa entrevista à imprensa, durante o encontro das 20 maiores potências mundiais, referindo-se ao tráfico de petróleo que financia o grupo.

Militantes

A maior parte dos militantes do Estado Islâmico vem de nações árabes, entre elas, a Arábia Saudita, o Marrocos e a Tunísia. Estima-se que cerca de 3 mil cidadãos de países ocidentais também estejam entre os combatentes. Alguns levantamentos indicam que as nacionalidades dos voluntários do EI chegam a mais de 80.
Por .Irany santos

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Império Bizantino

Ouça este conteúdo0:0010:33
Mapa mostra a extensão do Império Bizantino no ano 1025. Ilustração: Cplakidas / Wikimedia Commons / CC-BY 3.0
Durante um longo período o Império Romano agonizou. Invasões bárbaras, saques e má gestão levaram o Império ao colapso. Por outro lado, é neste período também que, na tentativa de minimizar os efeitos da crise e manter o Império, propõe-se a separação do Império em dois: o do Oriente e o do Ocidente. É este contexto que se dá início ao processo de declínio do Império Romano, que se desintegrou em 476, marcando não apenas o fim do Império do Romano do Ocidente, mas também o período histórico que chamamos costumeiramente de Idade Antiga. No entanto, o Império Romano do Oriente sobreviveu (atualmente chamado de Império Bizantino), até o ano de 1453, ano de sua queda. O período situado entre a queda do Império Romano do Ocidente e a queda do Império Romano do Oriente é o que conhecemos por Idade Média. Foi também neste período que ocorreu uma difusão e maior adesão ao cristianismo, inicialmente entre os componentes das classes mais pobres da população, mas chegando também às elites romanas.

A palavra medieval carrega consigo um conjunto de representações e estereótipos negativos, usualmente associando o período a uma “idade das trevas”. O termo idade média também pode passar uma interpretação equivocada, parecendo ser o período localizado no meio de acontecimentos importantes. Como se pode perceber, a história da Idade Medieval está diretamente relacionada ao Império Romano e seu declínio, no ocidente e no oriente. O intervalo de tempo entre os dois acontecimentos, de 476 a 1453, também é bastante significativo: são mil anos de experiências partilhadas entre homens e mulheres comuns. Não é possível, portanto, negligenciar os estereotipar este período da História da humanidade. Essa visão que temos sobre a divisão dos períodos da história faz parte de uma visão clássica sobre a própria constituição da história, fomentada pelos estudiosos europeus. Muitas vezes, e em muitos casos, essas divisões temporais fazem pouco sentido em outros países, como o Brasil.
Estátua do Imperador Constantino I, o primeiro imperador bizantino. Foto: Angelina Dimitrova / Shutterstock.com
A cidade repleta de edificações majestosas, como a Basílica de Santa Sofia, era cercada por uma muralha dupla que desempenhava muito bem o papel de proteção para aqueles que ali viviam. O cristianismo ali teve grande aceitação, e a cidade foi palco de atrações religiosas, como as relíquias que os cristãos da época acreditavam ter pertencido aos protagonistas da religião, tais como o sangue sagrado, os cravos da coroa de cristo e até mesmo as suas sandálias estavam na cidade para a apreciação dos devotos.

História da China

história da China é complicada e densa. Trata-se de uma cultura milenar que já vivenciou centenas de acontecimentos. É preciso emendar a tudo isso a questão territorial, visto que a China é um império de enormes dimensões (onde estão englobados diversos povos e civilizações).
China, em seu idioma nativo, significa literalmente Tien Hia (aquilo que está sob o céu). Curioso é o fato do povo chinês contar sua história em ciclos de 60 anos, uma vez que o povo ocidental tem por hábito narrar seus fatos históricos utilizando séculos ou décadas. Na verdade, estes ciclos chineses correspondem aos ciclos de 12 anos (signos do zodíaco chinês) multiplicados pelos 5 elementos. Na China já foram encontradas evidências de vida datadas de 250.000 anos aproximadamente e as primeiras referências históricas são muito antigas. Isto tem sido confirmado pela grande quantidade de restos arqueológicos e vestígios encontrados nas últimas décadas. Por sua vez, tais restos demonstraram a presença de antigos palácios, tumbas de príncipes, reis e imperadores.
As dinastias são um dos elementos mais importantes na estrutura histórica deste país que estendeu, de maneira notável, sua influência e poder. A primeira dinastia conhecida foi a Xia, que chegou a governar a China desde o século XXI ao século XVI a.C. Existiu, também, uma dinastia chamada Han (associada à evolução da linguagem chinesa e ao seu sistema de escrita baseado nos caracteres), que promoveu o pensamento de Confúcio e começaram, dessa forma, a aparecer os primeiros funcionários que administraram a China durante séculos. O papel foi inventado na China e muito contribuiu para a educação. As dinastias marcaram fortes períodos de sua história, algumas ficaram conhecidas por incrementar a economia, outras por instaurar períodos de maior repressão.Durante muito tempo, o norte da China esteve dominado pelos bárbaros. O sul tinha ficado bem dividido em diversas regiões. Um general do exército Qin Shi Huang Di, primeiro imperador chinês (desde 247 até 221 a.C.), conseguiu iniciar o processo de reunificação do país, depois de muitas lutas sangrentas e conflitos políticos da época. Nos anos que se seguiram, seus filhos continuaram a reunificar o que, hoje, conhecemos como China.
rota da seda foi criada, pois a seda chinesa foi um dos materiais mais apreciados e comprados no mundo todo.
A tendência a acreditar nas coisas metafísicas é tão antiga quanto a história do país. Assim, os chineses entendiam os desastres naturais como um sinal divino, aliás, alguns imperadores e governantes decidiam alterar suas políticas e decisões quando acontecia um terremoto ou alguma catástrofe qualquer, pois encaravam tais fatos como uma advertência das “esferas superiores”.
A China foi um país rico durante muito tempo, tinha a seu dispor portos e mercados muito importantes que, além de tudo, eram estratégicos para o desenvolvimento de todo o continente asiático, incluindo os países vizinhos.
Arquivado em: ChinaHistória.Postado por Irany Dicaprio.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Independência dos Estados Unidos.

O que foi a marcha para o oeste nos Estados Unidos.

Para entender o que foi a marcha para o oeste nos Estados Unidos, deve-se saber que esse processo de expansão deu-se pela posse de territórios a partir da compra e de guerra
Representação da Batalha de Buena Vista durante a Guerra Mexicano-Americana*
Representação da Batalha de Buena Vista durante a Guerra Mexicano-Americana*
Bem vindo ao Player Audima. Clique TAB para navegar entre os botões, ou aperte CONTROL PONTO para dar PLAY. CONTROL PONTO E VÍRGULA ou BARRA para avançar. CONTROL VÍRGULA para retroceder. ALT PONTO E VÍRGULA ou BARRA para acelerar a velocidade de leitura. ALT VÍRGULA para desacelerar a velocidade de leitura.Ouça este conteúdo0:00100%
O que foi a marcha para o oeste na história dos Estados Unidos?
Durante o século XIX, aconteceu nos Estados Unidos o que ficou conhecido como “marcha para o oeste”. Esse processo consistiu, basicamente, na expansão territorial da nação, originalmente surgida das treze colônias, em direção ao oeste. Nessa expansão, os americanos ocuparam as planícies da região central do que hoje compõe os Estados Unidos e a alcançaram a costa oeste, banhada pelo Oceano Pacífico.
O aumento do território dos Estados Unidos iniciou-se logo após a vitória contra a Inglaterra, na guerra pela conquista da independência do país e pelo fim do domínio colonial inglês. Depois da assinatura do Tratado de Paris, em 1783, os ingleses reconheceram a independência de sua ex-colônia e cederam uma grande quantidade de terras a oeste das treze colônias.
Essas terras ficavam a oeste dos Montes Apalaches e, durante a colonização, haviam sido causa de tensão entre colonos e ingleses. Os colonos queriam ocupá-las, porém as autoridades inglesas não permitiram para evitar hostilidades com as nações indígenas. Com a independência, os americanos iniciaram rapidamente a ocupação dessa região.
Além dessas terras obtidas com a independência, os Estados Unidos apossaram-se de outra grande quantidade de territórios a partir da diplomacia e da compra, como também pela guerra. Primeiramente, os territórios comprados ao longo do século XIX foram:
⇒ Luisiana, comprada dos franceses em 1803;
⇒ Flórida, comprada dos espanhóis em 1819;
⇒ Alasca, comprado dos russos em 1867.
A Luisiana foi comprada dos franceses, em 1803, por causa necessidade desse país em obter fundos para dar continuidade às guerras napoleônicas, que estavam acontecendo naquele momento na Europa. Os franceses aceitaram vender a região para os americanos por 15 milhões de dólares. No caso da venda da Flórida, o enfraquecimento dos espanhóis nessa região e as turbulências que enfrentavam na Europa possibilitaram a aquisição desse território pelos americanos. Para evitar uma guerra contra os Estados Unidos, os espanhóis venderam a região por 5 milhões de dólares.
Por fim, o Alasca foi vendido pelos russos em 1867, em razão das dificuldades financeiras que a Rússia enfrentava na época e pelo temor de perder a região para os britânicos sem receber compensação, caso esse território fosse invadido. O valor fixado foi de 7,2 milhões de dólares, e a compra do Alasca, à época, foi bastante criticada por causa das condições climáticas adversas do local.
A ocupação desenfreada do oeste americano foi incentivada por uma ideologia existente nos Estados Unidos da época e pelas condições ofertadas pelo governo americano. Durante o século XIX, foi formulada uma ideologia conhecida como Destino Manifesto, que afirmava serem os Estados Unidos predestinados (escolhidos) por Deus para formar uma grande nação. Essa “vocação divina” era utilizada como pretexto para justificar as violências cometidas contra os indígenas, por exemplo.
Já o incentivo do governo americano deu-se com o Homestead Act, ou Lei do Povoamento, decretado em 1862. Essa lei, instituída durante o governo de Abraham Lincoln, ofertava lotes de terra no oeste a um preço baixíssimo para americanos interessados e exigia em troca que a terra vendida fosse habitada e cultivada durante o período mínimo de cinco anos.
A marcha para o oeste, no entanto, não aconteceu somente a partir da diplomacia e da compra de territórios. A guerra também contribuiu para a expansão territorial americana. A Guerra Mexicano-Americana, como ficou conhecida, foi um conflito entre Estados Unidos e México, iniciado pela disputa do Texas por esses dois países.
O Texas havia sido herdado pelos mexicanos dos espanhóis após a independência do país em 1821. A partir de 1823, o governo mexicano passou a aceitar a entrada de colonos americanos para colonizar e povoar essa região. No entanto, atritos entre esses colonos americanos e as autoridades mexicanas passaram a acontecer.
A não aceitação das normas mexicanas pelos colonos americanos levou-os a rebelarem-se e a declararem a independência do Texas. Esse movimento concentrou suas forças no forte de Álamo e foi derrotado pelas tropas mexicanas em 1836. A derrota desencadeou o envio de um grande exército americano ao Texas, o que forçou o México a ceder o Texas aos Estados Unidos.
Dez anos depois, um novo conflito teve início entre os dois países, dessa vez pelo controle da Califórnia. Essa guerra estendeu-se de 1846 a 1848 e resultou na derrota do México, que novamente foi obrigado a ceder terras para os Estados Unidos, como o Novo México e a Califórnia. Ao longo desses dois conflitos, o México perdeu para os americanos uma faixa considerável de seu território.
Indígenas
Os grandes perdedores de todo esse processo de expansão territorial dos Estados Unidos foram os indígenas, que perderam praticamente todas as suas terras e foram vítimas de inúmeras formas de violência, o que levou a uma diminuição populacional considerável. Ao longo do século XIX, esses povos foram obrigados diversas vezes a abandonarem suas terras para sobreviver.
Muitos estados americanos criaram leis que forçavam a remoção de indígenas para que suas terras fossem utilizadas pela agricultura. Isso levou a um evento que ficou conhecido como Trilha das Lágrimas (Trail of Tears), no qual milhares de indígenas, de diferentes povos, foram obrigados a marchar 1500 quilômetros para estabelecerem-se em um novo local definido pelo governo. Estima-se que de 10 mil a 15 mil indígenas tenham morrido durante essas marchas realizadas na década de 1830.
A expansão dos americanos pelo oeste causou ainda a destruição do estilo de vida dos indígenas, uma vez que muitos desses povos sobreviviam da caça de bisões e, para realizar essa atividade, necessitavam de uma faixa extensa de terra.
*Créditos da imagem: Everett Historical e Shutterstock

Por Irany silva
Mestre em História

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Inconfidencia mineira.

A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português.
Foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil. Significou a luta do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período colonial.
No final do século XVIII, o Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil. No ano de 1785, por exemplo, Portugal decretou uma lei que proibia o funcionamento de indústrias fabris em território brasileiro.

Leitura da sentença dos inconfidentes, por Leopoldino Faria.

Causas

Neste  período, era grande a extração de ouro, principalmente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, vinte por cento de todo ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro “ilegal” (sem  ter pagado o imposto”) sofria duras penas, podendo até ser degredado (enviado a força para o território africano).
Com a grande exploração, o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama. Esta funcionava da seguinte forma: cada região de exploração de ouro deveria pagar 100 arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole. Quando a região não conseguia cumprir estas exigências, soldados da coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido.
Todas estas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira (intelectuais, fazendeiros, militares e donos de minas), influenciados pela ideias de liberdade que vinham do iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil.

Os Inconfidentes 


Tiradentes: líder da Inconfidência Mineira
O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes, era formado pelos poetas Tomas Antonio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, o dono de mina Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira. A ideia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Estes inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triangulo vermelho num fundo branco, com a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade ainda que Tardia).

Consequências

A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada pelo estado de Minas Gerais.

Curiosidades

  • Na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi exposta em Vila Rica, foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até aos nossos dias.
  • Tratando-se de uma condenação por inconfidência (traição à Coroa), os sinos das igrejas não poderiam tocar quando da execução. Afirma a lenda que, mesmo assim, no momento do enforcamento, o sino da igreja local soou cinco badaladas.
  • A casa de Tiradentes foi arrasada, o seu local foi salgado para que mais nada ali nascesse, e as autoridades declararam infames todos os seus descendentes.
  • Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Como alferes, o máximo permitido pelo Exército Português seria um discreto bigode. Durante o tempo que passou na prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha periodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a proliferação de piolhos, e, durante a execução estava careca com a barba feita, pois o cabelo e a barba poderiam interferir na ação da corda.